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3 Lições do Hipismo para a vida

É mais que futebol. É mais que basquete. É mais que tênis. É mais que hipismo. Conheça lições que só um esporte com um animal oferece.

Todo esportista, deseja enaltecer a influência do seu esporte na sua vida e das pessoas que se conectam com ele, porém, nem todos conseguem destrinchar com clareza as peculiaridades das lições que estão por trás da sua prática.

Chegou a hora de você conhecer a peculiar potência do hipismo para três inspirações que todos nós precisamos muito em nossa trajetória. Porque é mais que hipismo.

O diferencial de ser o único esporte em que se compete com forte dependência de um animal já deveria nos despertar para algo realmente único. Mas é mais forte que isso. É um animal que foi o principal meio de locomoção da humanidade durante muito tempo e nos remete imagens marcantes de épicos filmes de impérios, de guerras e romances, em grandes clássicos da história.

A imprevisibilidade instintiva do animal e das condições ambientais em que se monta um cavalo já pode ser suficiente para nos despertar imediatamente. O perigo pode estar em detalhes de um pensamento, de um sentimento, de uma vibração mal interpretada por quem está sendo liderado. 

Coragem e um potencial único para nos despertar para a liderança. Digno de propagar expressões como a de colocar sua vida e seus instintos nas suas rédeas. Digno de impulsionar uma série de treinamentos de liderança nas principais empresas do mundo.

Motivos diferenciados para nos inspirarmos já temos.

Mas se não bastasse essas peculiaridades tão marcantes com os cavalos, que tal compreender porque é um dos únicos esportes onde homens e mulheres competem em condições de igualdade? 

Estamos falando de um dos animais que mais simboliza força para a humanidade devido a sua proximidade com homem. E de uma necessidade de comandos leves intercalados com fortes.

Luciana Diniz, uma das poucas mulheres do Planeta Terra com 5 Olimpíadas e alunos em 6 continentes, oferece essa inspiração para você.

Coragem para ir além, Conectar para liderar e Equilíbrio entre força e leveza. Três inspirações que podem gerar lições significativas para sua caminhada com histórias que vão somar no ancoramento desses poderes em seu cotidiano.

É mais que um esporte. Já evoque a força do salto para seguirmos em frente!

Lição 1: Coragem para ir além

A força de um salto que só o hipismo tem

Saltam no basquete. Saltam na ginástica. Saltam de alguns outros esportes. Mas nenhum salta com um animal como o hipismo. 

O primeiro salto já seria suficientemente de valor. O primeiro. O que concretiza a monta. Porém, entre suas modalidades olímpicas está o Salto. E quem treina, salta muitas vezes.

Em câmera lenta é inevitável não pensar sobre a probabilidade da queda acontecer. Meia tonelada voando sobre os obstáculos com uma leveza paradoxal ou equilibrante?

Não importa o momento de nossas vidas, há sempre um obstáculo em torno do qual trotamos com o nosso cavalo à espera da coragem. A maioria das pessoas, no entanto, passa a vida ensaiando dar o salto. “Faltam recursos”, “não é o momento”, “estou sozinho”, “amanhã eu vejo”.

Alguns até ameaçam saltar, mas logo recuam ao menor sinal de perigo. E é, de fato, perigoso. Imagine: um animal de meia tonelada galopando para pular um obstáculo da altura de uma pessoa… com você nas costas! 

É fácil entender por que tantas pessoas travam na vida e no mundo dos negócios. Afinal, tudo o que é fácil dizer é mais fácil não fazer. E quando se trata de saltar um obstáculo desafiador, seja ele da altura que for, é preciso lidar com a falta de experiência, com as expectativas, com os riscos, e especialmente com a imprevisibilidade instintiva do seu animal.

Por isso, o cavaleiro corajoso não é aquele que descobre como eliminar o medo, mas aquele que aprende que até o seu cavalo teme. E, quando a hora do salto finalmente chega, ele percebe que a coragem é fundamental para direcionar todas as forças para o desempenho do salto. Salto que fica ainda mais corajoso quando recebemos a força do cavalo que vai com a gente.

Lição 2: Conectar para liderar

O cavalo como grande professor da liderança com conexão

Sem dúvidas, uma das modalidades mais impressionantes do hipismo, que revela o nível de intimidade que é preciso haver entre cavalo e cavaleiro, é o adestramento. Afinal, que extraordinária capacidade de comunicação é necessária para fazer um cavalo literalmente dançar!

Mas é claro que isso não é possível apenas porque o cavalo é um animal extremamente sensível e inteligente. Aliás, é justamente por essa inteligência e sensibilidade que muitas pessoas jamais experimentarão o que significa conectar-se de verdade com um cavalo: é preciso conseguir o seu respeito.

Muitas pessoas buscam segurança no domínio pela força, pela coerção, pela chantagem. No mundo corporativo, ainda é muito presente esse tipo de liderança. Mas, assim como isso não funciona nas empresas, não funciona de forma perene em lugar nenhum, muito menos com cavalos.

Então não é possível que um líder obtenha resultados de uma equipe através do medo, da pressão e de ameaças? Certamente é. E pode até ser que um sujeito bruto consiga montar e galopar em um cavalo às chicotadas. Mas dançar com o cavalo no chicote? Isso, jamais!

A Linguagem do Respeito

Cavalos têm uma percepção extraordinária. Eles percebem a insegurança do cavaleiro, sua hesitação, seu humor, suas intenções, tudo. Não é possível enganar um cavalo. É possível amedrontá-lo, sim. É possível fazê-lo obedecer à força. Mas, para ganhar sua confiança… Somente pela via da conexão genuína. Não há outro caminho.

Evidentemente, essa é uma das lições mais importantes que aprendemos com o hipismo. É tão emocionante testemunhar a relação de intimidade profunda que existe entre um cavaleiro/amazona e seu cavalo, que a reação mais natural é buscarmos nos tornar pessoas mais confiáveis.

E isso, os cavalos nos ensinam como professor nenhum no mundo. Primeiro, porque, para tornar um cavalo verdadeiramente dócil, é preciso ser capaz de ouvir seus sentimentos. E, para nós, que ouvimos palavras e muitas vezes não entendemos o que elas querem dizer, isso pode ser um desafio e tanto.

Segundo, porque domar um cavalo simplesmente não é possível se não formos capazes de domar a nós mesmos. Em outras palavras, é preciso liderar-se para liderar. Daí que “mão na rédea” tem muito mais a ver com governar a si mesmo do que com conduzir o cavalo.

De fato, para conquistar respeito, precisamos reconhecer preconceitos, temores, traumas, anseios, de modo a tirar tudo isso da frente para que uma conexão verdadeira tenha lugar. E essa, a linguagem do respeito, é universal, válida tanto em empresas quanto nas arenas.

Lição 3: Equilíbrio da presença

O constante despertar de uma prática instintiva

Quando se está no ar, medindo a precisão do salto e fitando a sombra do cavalo no chão, a mente não pode vagar para um obstáculo do passado, nem para aquele que ainda não chegou. Ela deve habitar completamente o instante presente. Cada músculo, cada respiração, cada batida do casco do animal exige a plenitude da consciência. É uma meditação em movimento.

Essa presença se manifesta em uma harmonia paradoxal. A mão que segura as rédeas deve fazer convergir força e leveza numa mesma tendência. Força para absorver um impacto, leveza para não interferir no movimento natural do cavalo — o ponto exato onde um comando se torna uma sugestão respeitosa.

Se prestarmos bem atenção, veremos que essa união de opostos oferece um antídoto para esse mundo polarizado de mulheres contra homens, direita contra esquerda, ricos contra pobres… O picadeiro nos lembra que forças aparentemente contrárias podem — e talvez devam! — cooperar. 

Não por acaso, o hipismo é um dos poucos esportes em que homens e mulheres competem em igualdade. Não há vantagem física que prevaleça à delicadeza de uma relação profunda. Eis uma poderosa metáfora para a vida: nossas polaridades internas — razão e emoção, ambição e contentamento — também pedem equilíbrio.

O Centro que Move o Mundo

Seja no hipismo ou na vida, o verdadeiro equilíbrio não se busca com tensão, mas com relaxamento consciente. É uma entrega ativa à gravidade e ao movimento. Quando encontramos nosso centro, nós nos tornamos parceiros do nosso cavalo, não seus passageiros. 

Mas quantas vezes já tentamos nos equilibrar através do controle excessivo? Planos rígidos, perfeccionismo insaciável, ansiedade… Sobre isso, o que os cavalos ensinam é que o equilíbrio verdadeiro flui. 

Equilíbrio, portanto, não significa estabilizar-se, mas se adaptar sem perder o rumo. É conectar sua alma a seu corpo, assim como está conectado o cavaleiro ao seu cavalo, de modo a serem um, em perfeita sintonia.

Esta é a suprema lição do equilíbrio: estar tão completamente presente a ponto de nos tornarmos um canal para a ação correta, sem forçar nem controlar nada, mas simplesmente permitindo que a sabedoria do corpo e da mente nos guie entre os nossos desafios. 

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